4. Liga Leste Reabilitar

A prática esportiva na Liga Leste Reabilitar

Selma de Souza B. Silva

O contexto

A Associação Liga Leste – Reabilitar tem por objetivo ensinar aos jovens as técnicas e práticas de futebol, proporcionando o seu desenvolvimento social, através da prática esportiva, atividades culturais e educacionais. Atuo na organização sempre no papel de observadora e colaboradora e é a partir dessa ótica que elaboro os registros e as reflexões aqui apresentadas.

O projeto que escolhi como foco para o processo de sistematização tem como objetivo preparar as crianças e adolescentes de8 a17 anos para o esporte, transmitindo valores como a fraternidade e proporcionando melhor qualidade de vida nas seguintes dimensões: corpo, mente e social.

A descrição da prática

A primeira tarefa foi demonstrar passo a passo a prática esportiva. Esta prática é realizada em cinco etapas dentro de espaço cedido à organização:

  • Anúncio da disponibilidade de vagas.
  • Chegada dos jovens à organização.
  • Seleção dos jovens.
  • Apresentação do que oferece a organização, além do futebol.
  • Integração dos jovens.

Na primeira etapa, é feito anúncio através do site da organização, informando a disponibilidade de vagas que são abertas todo início de ano, já que os jovens mudam de categoria.  No anúncio é informado o dia e horário de comparecimento para cada faixa etária.

Na segunda etapa, os jovens inscritos são recebidos na organização por um coordenador que trabalha auxiliando o educador. Os jovens são apresentados ao Educador e a outros jovens, que já estão no projeto. O educador mostra o local de treino (vestiários e dependências) e então fala dos treinos, destacando o que é oferecido a eles para que aprendam a prática do esporte e explicando que todos os educadores são devidamente qualificados, formadosem educação física. Dizo que espera deles: que é muito importante o trabalho em equipe e que o aproveitamento vai depender do esforço e talento de cada um.

Na terceira etapa, o educador explica as razões da seleção, destacando sua função, que é devido a não haver condições até o momento de acolher todos os que desejam fazer parte do projeto, uma vez que não há datas, nem horários suficientes e, ainda sofrerem com a limitação de espaço. Ele segue dizendo que a ordem, a disciplina, a dedicação, o esforço e a habilidade serão pontos importantes para a escolha dos jovens que serão contemplados com vagas.

Dá inicio aos treinos de seleção, no qual ensina aos jovens como se posicionarem em quadra e faz uma análise da melhor posição para cada um. Neste momento, os jovens são ouvidos quanto ao que eles sabem sobre a técnica e quanto à posição que desejam ocupar. Durante os treinos de seleção, os garotos aprendem como dominar a bola, chutar, conduzir as jogadas, marcar o adversário e como defender.

A observação dos jogos pela equipe – por um período de 15 dias – serve para que seja feita a seleção dos alunos. Após este período, os garotos que não apresentam evolução, interesse, espírito de equipe ou nenhuma habilidade com a bola são dispensados para uma nova oportunidade ou, se preferirem, podem até treinar em outras modalidades oferecidas pela própria organização, como artes marciais.

Na quarta etapa, é feita a integração dos jovens. É apresentado o trabalho da organização, no qual se destacam os seguintes pontos: as oportunidades existentes; as outras modalidades oferecidas; cursos de informática; as palestras (como prevenção ao uso de drogas); eventos (festas dia das crianças, natal, festas juninas, encontros familiares e jogos); a parceria com a prefeitura no “telecentro”, no qual podem utilizar internet para trabalhos escolares, pesquisas e até jogos; a importância da participação da família nos jogos, nos eventos e em tudo que a organização faz; as viagens que fazem para jogar fora em outras cidades e fora do estado; e como a organização se mobiliza em busca de parcerias, recursos e colaboradores, que são todos voluntários, fazendo este trabalho porque gostam. Também é destacada a possibilidade de serem chamados para treinarem em times de renome e ressaltado que isto depende do esforço, da dedicação e da habilidade de cada um, de saber aproveitar as oportunidades, de serem humildes e do espírito de equipe, saber perder e tirar proveito disso, buscando melhorar, pois o saudável é saber competir.

Na quinta etapa começam os treinos com as equipes formadas, divididas em categorias com horários e dias marcados, de forma a não atrapalhar os horários de estudo dos jovens. Os treinos são realizados de segunda à sexta-feira, das 14h00 às 21h00, alternados por categoria. As categorias são divididas por faixa etária do seguinte modo:

  • sub.17 ( de 16 a 17 anos)
  • sub.15 ( de 14 a 15 anos)
  • sub.13 ( de 12 a 13 anos)
  • sub.11 ( de 10 a 11 anos)
  • sub.09 ( de 08 a 09 anos)

As aprendizagens

Do nosso trabalho com jovens – estes cheios de sonhos, desejos e medos – há muitos prazeres e também muitos desafios. Muitas vezes é complicado e difícil lidar com as perdas (derrotas) e, até mesmo nas vitórias, manter a equipe equilibrada, humilde, perseverante, otimista e manter o espírito de equipe sempre. Por outro lado, o que nos impulsiona, o que nos gratifica, é ver estes jovens dedicando-se, participando, unindo-se, criando vínculos de amizade, esforçando-se, crescendo e desenvolvendo-se ao longo dos anos. A maior gratificação é ver que alguns ficam após completarem 18 anos, ajudando no projeto, por acreditarem neste trabalho. É bom vê-los neste ambiente saudável, familiar, longe do mundo das drogas.

Ao refletir sobre a prática aqui apresentada e sobre o trabalho da organização, o que eu faria de diferente seria trabalhar com mais dedicação para ampliar o espaço, dar oportunidade para todos que procuram a organização, sem a necessidade de selecionar. Alguns desafios sobre os quais também refleti são: a necessidade de buscar mais parcerias e recursos; aumentar os cursos; preparar melhor e com qualidade estes jovens para o mercado de trabalho; trazer a família e a comunidade com mais frequência para as atividades da organização, de forma que atuem como parceiros e não só como beneficiários do que já oferecemos; fazer dessa organização um núcleo familiar e de lazer, enfim, fazer a diferença na vida destes jovens, famílias e comunidade.  

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