5. Centro Para Juventude União Cidade Líder

Projeto Aprendiz
Fernanda Fiúza
Renata de S. Pires Matias
 

O intuito deste trabalho foi exercitar as práticas de registro e reflexão sobre o trabalho que efetuamos com adolescentes de15 a18 anos no Centro para Juventude União Cidade Líder. O CJ é um espaço de convivência que oferece cursos de informática, manutenção de micro, oficinas de orientação profissional, espanhol, dança e artesanato, sendo todas as atividades pautadas na orientação sócio educativa.

Tomando por base o Projeto Aprendiz – projeto dentro da temática de Orientação Profissional – registramos uma sequência didática e surgiu então nosso ponto principal de aprendizagem. Trataremos aqui da prática educativa desenvolvida a partir de uma situação problema que ocorreu no grupo de educandos e que poderá servir de apoio a educadores que vivenciam situação semelhante.

Em Orientação Profissional trabalham-se temas relevantes que contribuam para a inserção do jovem no mundo do trabalho, tratando de assuntos como postura, currículo, sonho profissional, habilidades e aptidões, entre outros. Faz parte da grade anual de atividades e a cada mês um tema é desenvolvido em forma de projeto.

O Projeto Aprendiz, que faz parte de Orientação Profissional, tem por objetivo promover vivências relacionadas ao trabalho, utilizando o próprio Centro para Juventude como instrumento de experimentação.

Neste projeto, toda terça-feira trabalha-se Orientação Profissional com os jovens (currículo, postura, dinâmicas de grupo, entrevistas, etc.) e na última terça do mês é feita uma seleção entre os jovens para escolher o Aprendiz do mês. O jovem selecionado, seguindo um cronograma preestabelecido, acompanha a rotina dos funcionários como auxiliar podendo assim compreender a rotina do trabalho. Fizemos uma experiência em 2011 e o projeto funcionou tão bem que passou a fazer parte da rotina de atividades por proporcionar experimentação e ter aderência por parte dos jovens. Além dessas vivências, todos jovens são responsáveis por organizar eventos do projeto, divididos por comissões (som, fotografia, decoração, recepção).

Uma situação problema

Foi este projeto o escolhido para ser objeto da reflexão que faríamos durante as oficinas de formação e sobre o qual realizamos as primeiras etapas da sistematização. Entretanto, em um dos eventos organizados pelos jovens (Almoço de dia das mães) ocorreu o sumiço de uma câmera fotográfica. Tomamos a prática educativa desenvolvida em torno desta situação como foco da sistematização. A aprendizagem desse instrumental será baseada neste fato que teve um impacto maior no grupo e proporcionou momentos de reflexão e práticas com o olhar voltado para o desafio e não somente para o problema em si.

Dado o fato, numa roda de conversa pedimos aos jovens sugestões de solução para o problema. Alguns disseram que a comissão responsável pela fotografia deveria pagar outra câmera, mas a maioria disse que deveriam resolver juntos. Nós, educadores, reforçamos que todos utilizam os recursos do CJ e a perda também seria de todos. A partir daí, algumas ideias surgiram: venda de pães de mel, rifa, bingo, venderem balas.

Houve uma festa numa igreja próxima ao CJ e cinco jovens se prontificaram a levar pães de mel e venderem. Os pães foram confeccionados com a ajuda dos garotos que haviam participado de uma oficina de culinária no mês de abril,em comemoração à Páscoa.

Uma mãe, sabendo da situação foi até o CJ conversar com a gerente e se prontificando a organizar um bingo com produtos de beleza e parte do valor seria revertida para a compra da câmera. Enfatizou a importância de cobrar responsabilidade dos jovens e disse que gostaria de colaborar. Sugeriu que cada jovem comprasse um bingo para ajudar, mas como o nosso papel é incluí-los não levamos adiante essa sugestão. Apresentamos a ideia aos jovens numa reunião e todos toparam participar do evento e ajudar a organizá-lo.

No dia do Bingo (um domingo) somente 25 jovens participaram, sendo que atendemos 60 jovens nos dois períodos. Esses jovens, porém, ajudaram na organização, no atendimento aos participantes, na venda de salgados e refrigerantes e na limpeza do espaço no final. Na segunda-feira chamamos todos os jovens para uma conversa e questionamos a falta da maioria e falamos da importância do comprometimento na resolução da situação-problema. Percebemos que por ter sido num domingo a participação não foi satisfatória por terem outros compromissos.

As duas ações arrecadaram um total de R$ 230,00 que não foram suficientes para cobrir o valor da câmera, de aproximadamente R$ 500,00.

O presidente da Entidade propôs então que se os jovens fizessem a pintura dos muros, doaria uma câmera nova para o projeto. Essa pintura está sendo feita e o envolvimento dos jovens está satisfatório, já que uma média de 40 jovens está participando dessa pintura e já estão em processo de finalização.

Compartilhando aprendizagens

Com essa situação pudemos perceber que oportunidades de trabalhar em equipe, resolução de conflito, responsabilidade, além de reflexões não podem ser desperdiçadas. Seria muito mais simples repor a câmera e proibi-los de utilizar com liberdade, porém dessa forma estaríamos “culpabilizando” o grupo por algo que possivelmente foi feito por um jovem. Com essas ações passamos para os jovens a responsabilidade de solucionar o problema pelo fato de todos serem prejudicadas e não culpados pelo ato.

A organização tem como base teórica “Os Quatro Pilares de Jaques Delors” e percebeu nesse problema a oportunidade de trabalhar questões relacionadas a aprender a conviver, aprender a ser, já que nessa situação é necessário que haja tolerância com o outro, evitar fazer julgamentos e, principalmente, trabalhar em equipe. Esta postura possibilita que os jovens reflitam sobre o ocorrido e se percebam no fazer, já que as ações foram propostas e executadas por eles mesmos.

Aproveitar as demandas para trabalhar aprendizagens tem sido uma estratégia muito utilizada no CJ União, pois percebemos que faz mais sentido para os jovens quando a construção da reflexão e do conhecimento parte de algo real e vivenciado por eles. Ao invés de olharmos somente o problema em si, perceber as chances de construção a partir disso é o que fortalece o nosso trabalho. Os jovens se mostram cada vez mais envolvidos com as atividades e mesmo que o início dessa prática educativa tenha sido uma situação conflituosa, o caminho para resolvê-la foi de aprendizagens e contamos com o bom humor e dinamismo típicos do grupo. Essas vivências marcam a história dos jovens e mostram alternativas saudáveis para transformar problemas em oportunidades de aprendizado.

2 Responses to 5. Centro Para Juventude União Cidade Líder
  1. helenis mesquita dos santos correa dezembro 11, 2017 at 17:53 Responder

    boa tarde gostaria de saber se voceiss tem assistente social nesta ong

    também gostei muito do projeto desenvolvido por voceis aguardo uma resposta obrigada

    • Olá, Nice. Agradecemos seu comentário. Por gentileza, entre em contato direto com o Centro para Juventude União Cidade Líder para informar-se sobre a assistência social. Abraços.


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